Viajo desde que me conheço por gente.
Guardo na memória as inúmeras viagens com meus pais para Junqueirópolis -
interior de SP - e todos os voos que minha imaginação, sem pouso, permitia já
naquela época. A viagem de trem durava mais de 9h. De ônibus, um pouco mais. Eu
preferia viajar de trem.
Aos 13 anos minha primeira viagem só.
Não que alguém tivesse deixado, eu fui escondido. Queria muito ir para o
interior, curtir o sitio dos meus tios, todavia naquele ano a família não
iria. Lembro-me bem. Arrumei uma mochila, coloquei algumas roupas, escrevi um
bilhete pedindo desculpas para os meus pais e parti. O dinheiro era suficiente
apenas para comprar a passagem e comer algo na viagem. Como era menor
de idade, entrei no trem junto com uma família desconhecida e fiz de conta que fazia
parte dela até chegar ao meu destino.
A falta de noção do perigo faz com que qualquer coisa se transforme em aventura, a presença do medo é nada, se comparada ao breve gosto de liberdade convertida em diversão. Escondia-me no banheiro, andava pelos
corredores e trocava de vagão pra que ninguém me perguntasse por que eu viajava sozinho.
Por fim, cheguei à cidade onde meus tios moravam. Lógico que levei uma bronca severa e fiquei de castigo!
Sei que não foi correto o que eu fiz, mas valeu ter ido, porque naquele momento era mais importante estar feliz do que estar certo.
Uma semana depois me colocaram em um ônibus de volta para casa.
Sei que não foi correto o que eu fiz, mas valeu ter ido, porque naquele momento era mais importante estar feliz do que estar certo.
Uma semana depois me colocaram em um ônibus de volta para casa.
Cresci com a ânsia de experimentar o mundo e a curiosidade de descobrir lugares e vidas.
Aos 16 anos, quando comecei a trabalhar, voltei a viajar sozinho ou em companhia de amigos. O litoral de São Paulo e o interior eram nossos melhores destinos. Até que em 1993 fiz a primeira viagem para fora do estado.
Fui para Pernambuco.
Ao chegar em Recife, apesar da difícil viagem de ônibus que durou 44 horas, foi fácil e rápido me render aos encantos daquele lugar. Mais tarde, conheci outras cidades do Nordeste, Sudeste, Norte, Sul e Centro-Oeste. Até o Pantanal entrou na rota. Depois das fronteiras, os países da América do sul e quando dei por mim, estava na Europa.
